O que o novo Primeiro-Ministro da Austrália pode fazer por Assange?

Há sinais de que o Primeiro-Ministro Anthony Albanese, eleito em maio, parece mais interessado em lidar com a situação de Julian Assange do que o governo de Scott Morrison.

O processo contra Julian Assange é um jogo político. A qualquer momento, a secretária do Interior do Reino Unido, Priti Patel, deverá carimbar a decisão sobre a extradição de Assange para os Estados Unidos. O que vai acontecer com ele ainda é incerto. O Tribunal de Magistrados de Westminster aprovou formalmente sua extradição em 20 de abril e Patel tinha um prazo até 31 de maio para emitir a decisão final. Se condenado por espionagem nos EUA, Assange poderá passar 175 anos na prisão. Sua equipe jurídica argumenta que ele provavelmente poderia cometer suicídio.

Porém, ainda há um vislumbre de esperança. A Austrália elegeu um novo Primeiro-Ministro em maio, o atual líder do Partido Trabalhista Anthony Albanese. Um defensor do jornalista, Albanese reacendeu os apelos para suspender a extradição, afirmando que, embora não tenha simpatia com Assange por algumas de suas ações, não acha que tenha lógica em mantê-lo preso.

“O apelo contra a extradição de Assange é como um jogo de cobras e escadas. Ele conseguiu validar o argumento sobre as condições das prisões nos EUA até a porta da Suprema Corte, mas eles o rejeitaram, então ele voltou para o tribunal de magistrados, onde tudo começou” – Anthony Albanese.

Anthony Albanese e a advogada de Assange, Jennifer Robinson. Foto: DailyMail/Reprodução.

No fim de maio, Albanese viajou ao Japão para uma reunião dos líderes do QUAD (Diálogo de Liderança Quadrilateral) formado por Índia, Japão, EUA e Austrália, com o objetivo de entregar uma mensagem sobre as mudanças no cenário político australiano. Apoiadores conterrâneos de Julian Assange, parlamentares de partidos coligados como Partido Verde, Independentes, chamaram a atenção do Departamento de Relações Exteriores e Comércio (DFAT) e o Departamento do Primeiro-Ministro e seu Gabinete para incluir Assange na agenda, e não apenas como uma questão secundária.

A reunião foi a “oportunidade ideal” para Albanese dialogar com o presidente dos EUA, Joe Biden, e o primeiro ministro britânico, Boris Johnson, e debater a situação do fundador do WikiLeaks. Segundo um porta-voz do gabinete do Primeiro-Ministro, “será improvável fornecer informações sobre os assuntos ligados com a agenda do QUAD”.

“Não acho que Albo queira se tornar outro primeiro-ministro australiano cúmplice da perseguição de Julian e, mais amplamente, da escalada ocidental à barbárie que vem ocorrendo desde a invasão do Iraque”, disse o irmão de Assange, Gabriel Shipton, em entrevista ao site The Canary.

As relações EUA-Austrália são um dos muitos assuntos que testarão a liderança de Albanese. De acordo com Kellie Tranter, advogada de direitos humanos do time jurídico de Julian, os pedidos de liberdade de informação mostram “que governos sustentam há muito tempo que o caso Assange tem implicações estratégicas para a aliança”. Tranter afirma que é por isso que nenhum governo australiano se manifestou em apoio aos seus direitos humanos ou forneceu assistência diplomática a Julian Assange.



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