Osgemeos é passado! Eduardo Kobra já era! Speto, eu vou te pegar! Zezão paga comédia! Está no ar: Jornal Jornal, o jornal que é muito mais jornal do que o jornal que você compra na banca de jornal… Ops, me empolguei. Peço perdão à Polícia Civil de Minas Gerais pelo vacilo. Contudo, a questão aqui é simples: o maior pixador (grafiteiro) deste país é Carlos Adão, homem nada modesto que já deixou sua marca mais de 200 mil vezes em muros, pedras, calçadas e quaisquer outras superfícies disponíveis Brasil afora.

Economista, Carlos Adão transformou-se em lenda urbana transmídia ou, como dizem os arrombados da Faria Lima, omnichannel — estampa de quadros a cuecas e calcinhas, passando, literalmente, por tudo o que der bobeira) e, muitas vezes, teve sua existência questionada. Será Carlos Adão um homem, uma mulher, um jovem, um adulto, um idoso, um coletivo? Mas, como você pode ver no segundo link presente neste texto (ali em cima, quando cito o nome do personagem pela primeira vez), Carlos Adão é um senhor que já passou dos 60 e o único a escrever o próprio nome — e seus eventuais e inteligentíssimos desdobramentos — com tinta verde em fundo preto. 

Para não incorrer no risco de soar muito palestrinha, poderia encerrar a crônica de hoje por aqui e deixar que o leitor e a leitora assistam o documentário em paz, mas, foda-se. Vou ser um pouco palestrinha mesmo e listar três pontos importantíssimos acerca da obra de Carlos Adão: 1) independente da superfície onde apareça, percebemos que a marca está sempre na altura dos olhos de quem vê, sem censura ou restrições; 2) “numa cronologia lógica e, ao mesmo tempo, poética, a aplicação do preto se dá na trajetória da ida”, como os ventos que vão e não voltam; 3) assim como no humor, a poética de Carlos Adão não tem restrições morais e a aplicação do verde é a materialização da palavra/poesia”. 

Pronto. Agora chega. Vá assistir ao documentário.

Sabiá

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