Desde Fevereiro de 2020, políticos e jornalistas alemães vinham coletando assinaturas para a publicação de uma carta contra a prisão arbitrária do fundador do WikiLeaks, Julian Assange, que foi reconhecida hoje pelo Bundestag, o Parlamento Alemão. Na carta, personalidades demandam “a libertação imediata de Julian Assange, por motivos de saúde e com base no estado de direito”. Os 130 signatários iniciais se somaram aos 22 mil apoiadores.

No texto, é expressada “grande preocupação com a vida do jornalista e fundador do WikiLeaks” e são citadas as conclusões do Relator Especial das Nações Unidas sobre Tortura, Nils Melzer, afirmando que Assange apresentou “todos os sintomas típicos de vítimas de tortura psicológica prolongada”. O apelo também se refere à carta aberta de mais de 60 médicos pelo mundo, que exigem que “Assange seja transferido para um hospital, pois seu estado de saúde é considerado risco de vida”.

Manifestantes em Berlim pedindo liberdade a Assange. Foto: Reuters.

Em nota à imprensa hoje, os parlamentares de partidos progressistas Sevim Dagdelen e Sören Pellmann divulgaram que o Bundestag “condena a perseguição a Julian Assange como um ataque à liberdade de imprensa”.

“Pela primeira vez, o Bundestag alemão condena [nos termos mais fortes possíveis] a tortura psicológica do jornalista Julian Assange sob custódia do governo britânico, sendo visto também como um ataque à liberdade de imprensa na Alemanha e na Europa. A consideração de uma carta aberta correspondente hoje na Comissão de Petições é uma demanda oficial ao governo para fazer campanha pela libertação de Julian Assange”

Sevim Dagdelen, presidente do partido social democrata Die Linke na Comissão de Relações Exteriores, explica que “a decisão do Bundestag alemão pela vida e liberdade de Julian Assange é um resultado histórico e foi decidido pelo voto parlamentar. O governo federal deve de uma vez por todas desistir de sua inação, respeitar o voto do Bundestag e urgir que seus parceiros nos EUA e na Grã-Bretanha acabem com a perseguição política de Assange. Aqueles que descobrem crimes de guerra não pertencem à prisão, mas aqueles que os cometem e os ordenam”.

Perseguição a Assange gerou preocupação no Bundestag

A comissária de Direitos Humanos da Alemanha, Bärbel Kofler, disse ao Deutsche Welle em dezembro de 2020 que vem “acompanhando com preocupação” o processo de extradição do Reino Unido contra Assange. “Os direitos humanos e os aspectos humanitários de uma possível extradição não devem ser esquecidos. É imperativo que o estado físico e mental de Julian Assange seja levado em consideração ao decidir extraditá-lo para os EUA”, disse ela, acrescentando que continuará monitorando o caso. “O Reino Unido está vinculado à Convenção Europeia de Direitos Humanos a esse respeito, e também no que diz respeito à possível sentença e às condições de sua prisão”, destacou Kofler.

Julian Assange completou 51 anos na segunda-feira (3), sendo seu 4º aniversário na prisão de Belmarsh, desde abril de 2019. Os Estados Unidos pedem sua extradição para que ele seja julgado pelos supostos crimes de espionagem e revelação de segredos de Estado, que poderiam render uma pena máxima de 175 anos.

Na sexta-feira, dia 1º de junho, a equipe jurídica de Assange entrou com apelação ao Supremo Tribunal de Londres para bloquear sua extradição depois que a Ministra do Interior, Priti Patel, decidiu a favor dos EUA, marcando o mais recente passo em sua batalha legal que se arrasta por mais de uma década.