Oi! Faz tempo que não apareço aqui, né? Bom, sei que você leu o título, mas não ache que isso é algum texto motivacional ou algo como aqueles adolescentes filhotes de pseudo “coachs” que postam fotos de pessoas comendo sozinhas com a legenda “liberdade ou solidão?”. Inclusive eu pensei em colocar isso como título, mas fiquei com medo de ser mal interpretado.

Brincadeiras à parte, você sabe o que é solitude? A solitude seria algo como a solidão, porém algo voluntário e positivo, algo como ter apreço à sua própria companhia e isolamento. De acordo com o dicionário seria só um sinônimo para solidão, mas dentro da minha solitude em que eu escrevo essa crônica agora, só minha opinião importa, ok?

Onde eu quero chegar com isso tudo? Vamos lá, embarquem em mais uma jornada pelas minhas reflexões e dramas cotidianos. Eu sempre flertei com a solitude… Existia algo de prazeroso em ficar sozinho com as ideias na minha cabeça. Sabe quando não tem ninguém em casa e a gente começa a falar sozinho? Mais ou menos por aí. Eu ficava mais concentrado, organizado e… consequentemente mais feliz. Não, isso não quer dizer que eu tenha algum tipo de fobia social ou não goste de seres humanos (em alguns momentos talvez sim), na verdade, eu também adoro estar com pessoas que amo, falar besteira, conversa de bar ou só ficar abraçadinho, pele na pele, ouvindo a respiração daquela pessoa. Acontece que para isso ser prazeroso, eu precisava dos meus momentos sozinho com minha própria cabeça, eu e meus “divertidamentes”, eu e… bem, minha solitude.

De um tempo para cá eu acabei, parafraseando e traduzindo o título do álbum do Gustavo Bertoni, me perdendo na “linha tênue entre solidão e solitude”, e como eu descobri isso? Vamos por partes. Eu sempre fui bem ansioso (mais um entre os “trocentos” probleminhas que eu tenho), mas eu tive ataques de pânico, de uma hora para outra eu estava ofegante, desesperado e querendo chorar como se não houvesse amanhã. Sabe aquela sensação de que seu coração vai fugir do peito? Dá vontade de sair correndo de onde você estiver para encontrar um colo e um afago de mãe, de vó ou de qualquer pessoa que você sinta ser seu porto seguro. Eu já não vinha equilibrado emocionalmente, mas isso tinha se tornado relativamente comum, o que acho que incomodaria a maioria de vocês também, né? Lembrando, busque tratamento psicológico! Se você sofre de condições semelhantes, a ajuda profissional é de extrema importância, inclusive digo por experiência própria.

Uns dias atrás, após um desses ataques de pânico, fui à casa de uma das minhas melhores amigas (sim, lembra a parte que eu falei de correr para um colinho? Eu corri). Coincidentemente ou não, ela cursa psicologia e, coincidentemente ou não, havia um livro na cabeceira da cama dela sobre ansiedade e, coincidentemente ou não, eu folheei aquele livro, ali eu tive minha virada de chave.

Em um dos capítulos eu li um pouco sobre ataques de pânico e agorafobia, e talvez eu tenha me identificado um pouco. Lá dizia que alguns dos “gatilhos” para essas condições seriam: perdas, abstenção de drogas, mudanças bruscas na sua vida, doenças (geralmente não identificadas), entre outras que eu honestamente não vou lembrar agora. Talvez eu tenha praticamente feito bingo em todas essas condições (no mínimo um “hat-trick”, para quem curte futebol). Lá também estavam listadas algumas situações em que você poderia estar pré disposto a um ataque de pânico, e a que mais me chamou atenção: estar sozinho, solidão.

Aquilo foi quase um soco no meu estômago. Como disse, meu emocional estava bem desequilibrado, principalmente por perder alguém que gostava muito no início do ano (imagina estar fazendo planos com alguém e depois de 3 dias essa pessoa partir sem você poder dizer que a ama? Dói demais). Haviam outras coisas, mas essa devia, ou deve, ser a mais profunda. Fora isso, meus ataques de pânico aconteciam nos momentos em que eu mais me sentia sozinho… sim, solitário dessa vez.

Enfim, entre solitudes, solidões e medo, sigo vivo. Sei que você também deve se sentir assim, nas mais diversas proporções, e essa crônica é para que você não se sinta sozinho. Mesmo que se sinta sufocado, que as luzes do teatro se apaguem, a cortina feche e o público vá embora, vivamos nossa tragicomédia, tudo bem chorar no camarim. Entre solitudes, solidões e medo, sigamos vivos.

Sabiá

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