O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) concedeu na quinta-feira (28) uma licença prévia que permitirá que uma extensa rodovia seja asfaltada no centro da floresta amazônica, segundo o ministro da Infraestrutura, Marcelo Sampaio, em uma medida que ameaça intensificar ainda mais as ações de desmatamento.

Em sua campanha eleitoral, o presidente Jair Bolsonaro já havia prometido repavimentar a estrada, chamada BR-319, que ligaria a cidade de Manaus ao resto do Brasil.

No entanto, repavimentar a estrada permitiria que madeireiros ilegais e grileiros acessassem áreas remotas e intocadas da floresta com mais facilidade e sem restrições ambientais. Com essa medida inicial sendo aprovada, o aumento de desmatamento da floresta amazônica cresce cada vez mais e ameaça a existência das comunidades indígenas.

O Ministro da Infraestrutura, Marcelo Sampaio, anunciou a licença em sua conta oficial do Twitter, publicando uma imagem do documento do Ibama. “Alinhando engenharia e respeito ao meio ambiente, vamos tirar a sociedade do Amazonas do isolamento.”

A licença inicial permitirá que o governo contrate empresas para pavimentar o maior trecho da estrada que está em condições degradantes. As empreiteiras elaborarão os planos, mas precisariam de outra licença para iniciar a construção.

Segundo o biólogo americano Philip Martin Fearnside, “a expansão do desmatamento pode comprometer os “rios voadores”, os ventos que levam vapores d’água a diversas regiões do Brasil”. Em entrevista ao Estadão, afirmou também que “a área de impacto direto a partir dos primeiros ramais da estrada, somente na zona de interesse da exploração de petróleo e gás, equivale a três vezes o Estado de São Paulo.”

Em sua pesquisa sobre os impactos ambientais da BR-319, Fearnside expõe que o projeto resultaria em um aumento de cinco vezes no desmatamento até 2030, o equivalente a uma área maior que o estado americano da Flórida. O estudo também concluiu que o enfraquecimento das proteções ambientais de Bolsonaro já estimulou o desmatamento crescente na Amazônia, atingindo um recorde em 2022.

A estrada, que foi construída na década de 1970, durante a ditadura militar, foi corroída pelo ambiente inóspito da floresta tropical. A maior parte da rota é um trecho intransitável de lama durante uma estação chuvosa de aproximadamente seis meses.

Sabiá

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