Semana de 7 a 12 de agosto.

Essa semana no clima é uma nova COLUNA sobre mudanças climáticas e a ciência climática, escrita semanalmente pela advogada e colunista Amanda de Meirelles Belliard.

Os problemas ambientais no Brasil têm uma extensão global, muito por conta da aceleração da degradação ambiental que ocorre na Amazônia, a qual impacta consideravelmente todo o mundo, incluindo a renovação ambiental num geral. Por conta de queimadas clandestinas, mineração excessiva, desmatamento, o meio ambiente amazônico tem se tornado cada vez mais hostil para o desenvolvimento da fauna e flora, mas principalmente, para o suprimento do ecossistema, tanto nacional, como internacional. 

Além disso, a autodeterminação dos povos e a demarcação das terras, direitos constitucionalmente previstos, não são mais suficientes para garantir aos índios a sua liberdade, vida, saúde e, principalmente, a conservação dos seus antepassados. 

Com isso, a preocupação com relação a manutenção ambiental, a qual depende muito da Amazônia, tem se tornado pauta internacional a algum tempo, não sendo uma questão mais direcionada apenas a comícios políticos, mas principalmente aos ativistas ambientais, tendo adesão inclusive de ambientalistas da NASA.  

O PAPA QUER ESTAR PRÓXIMO A AMAZÔNIA: Por falar em aderência internacional, o Papa Francisco garantiu, ainda, que os povos tradicionais que vivem na Amazônia, devem ter seu direito ao território e ao patrimônio natural, como o solo, a água limpa e um meio ambiente saudável, livre de poluição ou perigos iminentes, os quais são causados pelas queimadas que aderem, em poucos minutos, uma grande extensão, atingindo as aldeias. 

O abandono territorial por parte dos índios tornou-se uma forma de garantir a sobrevivência, uma vez que eles estão sendo obrigados a se dirigirem para as cidades urbanas por conta da baixa qualidade de vida na floresta. Crianças doentes por conta da alta quantidade de minérios nos rios tem se tornado um dos principais problemas enfrentados diariamente nas aldeias.

Ainda, quando não se fica doente por conta da contaminação da água, não há comida, uma vez que a caça e a pesca estão totalmente prejudicadas, ocasionando uma baixa nutricional e a fome.

Para a comunidade em geral, a preocupação do Papa com relação aos índios e a situação ambiental do Brasil é de grande repercussão, uma vez que a Igreja ainda possui grande influência social e deve estar atenta aos problemas sociais, inclusive vindo a conscientizar mais a comunidade religiosa quanto aos perigos ambientais que estamos e vamos enfrentar.

BRASIL VAI TER QUE “ENTRAR NA LINHA” PARA ENTRAR NA OCDE: Há ainda quem diga que meio ambiente não é importante quando se trata das relações internacionais e comércio exterior. 

Com interesse de adentrar à OCDE, o Brasil vai ter que encarar de uma vez por todas as consequências da má preservação do meio ambiente e da marginalização dos povos tradicionais, e trabalhar para a reparação, manutenção e diminuição dos impactos ambientais, garantindo assim a diminuição das queimadas e garimpos; a demarcação das terras indígenas; e o extensivo combate a violência na Amazônia, principalmente contra os Índios e os ativistas ambientais. 

No Brasil, raros são os casos de homicídios que envolvem ativistas e indígenas investigados e concluídos. Assim, terá o Brasil que seguir um RoadMap para alinhar seus objetivos climáticos com o resto do mundo, trabalhando para reduzir a perda da biodiversidade até 2030. Isso já tinha sido acordado anteriormente na COP26, mas teve que ser novamente falado pela OCDE. Inclusive, aderimos a apenas 8 de 70 princípios centrais do comitê especifico de meio ambiente, conforme painel de monitoramento feito pela Confederação Nacional da Industria (CNI).

Uma das principais premissas impostas no documento é que o Brasil terá que respeitar os direitos dos povos indígenas e de comunidades locais, incentivar a população ao combate da violência contra esses povos e da participação à fiscalização as atividades ambientais. 

Com isso, o governo atual terá que abandonar o posicionamento ameaçador relacionado as pautas ambientais, e aos seus defensores, vindo a implementar um posicionamento favorável aos movimentos e ativistas que buscam proteger a Amazônia e seus povos. Caso se negue a isso, as relações econômicas e internacionais vão sofrer grandes impactos, uma vez que o país já é conhecido, nos últimos anos, por não cumprir suas promessas climáticas. 

AUMENTO DE 8% NAS QUEIMADAS NA AMAZÔNIA EM JULHO: Como se não bastasse a época de queimadas na Amazônia, que pode durar até 3 meses do ano, temos ainda a atuação ostensiva de garimpeiros, fazendeiros e grileiros, os quais utilizam-se do fogo para desenvolver suas atividades, ocasionando o desmatamento e a alta poluição do ar e das águas.

Destaca-se, ainda, que as queimadas – quando não provocadas — são consideradas fenômenos naturais em locais áridos. Apesar disso, as queimadas já estão sendo ocasionadas com maior frequência por conta da situação ambiental que vivemos, vindo o 1º semestre de 2022 ser um enorme alerta sobre o desmatamento nos últimos anos. Dados estatísticos retirados do DETER – Detecção de Desmatamento em Tempo Real, 729 mil km² já foram desmatados no bioma Amazônia, correspondendo a 17% do referido bioma. 

As secas decorrentes da falta de chuva e da degradação florestal já são respostas às atitudes humanas que vão totalmente contra a conservação do meio ambiente, mas principalmente, respostas à falta de fiscalização ambiental, tornando-se, assim, a Amazônia um ambiente de conflito armado. 

Se não bastasse as secas em épocas não normais, a intervenção humana tornou as queimadas algo diário, fazendo com que a vegetação não se recupere, tornando o solo cada vez mais enfraquecido e o ar cada vez mais poluído, desapropriando pessoas e animais, adoecendo, assim, a cadeia alimentar, tornando os problemas ambientais em algo cíclico, que não tem fim. 

QUARTA (10) FOI DIA INTERNACIONAL DOS POVOS INDÍGENAS, MAS SEM MOTIVOS PARA COMEMORAÇÃO: Com a recente morte do indigenista Bruno Pereira e do jornalista Dom Phillips, podemos observar que a luta dos povos indígenas está muito longe de acabar. Com uma recorrente e descarada marginalização e vulnerabilidade, as potências mundiais num geral, mas principalmente o governo brasileiro, não tem interesse em cuidar e auxiliar os indígenas, muito menos garantir seu direito ao território, uma vez que a visão patrimonial e econômica ganha o lugar dos direitos fundamentais e, do meio ambiente.

Essa criminalização social e mistificação da luta dos direitos dos povos tradicionais no Brasil não é de hoje. Já são mais de 300 mortos na última década por conta dos conflitos, em sua maioria ocasionadas pelos radicais que vão contra a conservação ambiental e o movimento indigenista, vindo o governo brasileiro inflamar mais ainda a discussão sob o fundamento de que a resolução de todos os problemas da Amazônia se dará através de multas àqueles que cometerem algum crime ambiental e que a morte de ativistas se dá porque estes ousam adentrar a um ambiente que já é originariamente hostil.

A realidade é que o ambiente torna-se perigoso justamente pela falta de fiscalização, acarretando a formação do território em um ambiente de conflito armado entre garimpeiros, grandes fazendeiros e grileiros, tendo a impunidade tornado-se inerente dado o abandono ecossistêmico da Amazônia, pelo governo atual, vindo este a ser o que menos executou multas aplicadas àqueles que de alguma forma depredaram o meio ambiente. Como pauta política, a fiscalização e agitação ambiental torna-se barganha de voto, ficando a discussão banalizada, não tendo a urgência necessária atribuída. 

Essa banalização da luta dos povos e do meio ambiente torna o movimento, que é  absolutamente necessário e tem grande urgência, em uma discussão repetitiva, dirimindo, assim, a real notoriedade que o movimento urge, ocasionando, inclusive, a atribuição ao meio ambiente de valor patrimonial, onde o mais rico financeiramente ganha, não importando mais o seu valor subjetivo e sistêmico. Uma vez que o meio ambiente torna-se desequilibrado, toda cadeia será prejudicada.  

DOENÇAS INFECCIOSAS ESTÃO TENDO CRESCIMENTO EXPONENCIAL POR CONTA DAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS: É isso mesmo. Com o desequilíbrio ambiental e o aumento dos impactos relacionados ao aquecimento global, doenças infecciosas estão crescendo e se fortalecendo. A proliferação de patógenos está ocorrendo frente do degelo que ocorre de geleiras. Segundo a Nature Climate Change, mais da metade de doenças patogênicas estão sendo agravadas por conta das alterações climáticas, muito porque esses patógenos estavam congelados a tempos no subsolo, e com o processo de derretimento, acabam reaparecendo.

Com isso, a preocupação ambiental acaba por ramificar-se e se estender à uma questão de saúde pública. Segundo o estudo acima mencionado, 58% das doenças infecciosas foram agravadas por conta dos impactos gerados pelos riscos climáticos. Ainda, observa-se que esse aumento se da também por conta da alteração no habitat, ou seja, por conta de secas, queimadas, ondas de calor extremo, etc, os patógenos entram em contato com mais facilidade com os humanos, tendo inclusive um ambiente propicio de proliferação e fortalecimento, dado o desequilíbrio que esses acontecimentos causam no meio ambiente.

Assim, observa-se que a discussão acerca da conservação do meio ambiente, como também da sua manutenção, não se da mais de forma superficial , mas ramifica-se em diversas áreas sociais, como saúde e qualidade de vida, bem como, de combate a fome e marginalização de povos.

A EXTINÇÃO HUMANA PODE ESTAR CADA VEZ MAIS PERTO: Diante do desequilíbrio que encontramos no ecossistema, de doenças sendo proliferadas, colocando assim em risco a saúde e vida dos seres humanos, a extinção humana torna-se alvo de preocupações dos cientistas. Em novos estudos, cientistas ambientais informam com caráter de urgência que a possibilidade de uma catástrofe global está cada vez mais perto de levar os humanos a extinção.E isso tudo gira em torno de uma questão: mudanças climáticas.

Diante do cenário de rápidas e extremas mudanças, os cientistas informam que as ondas de calor já são mais comuns do que pensamos, vindo alguns locais vivenciarem a média de temperatura em torno de 29ºc. Nas últimas semanas, inclusive, vimos isso em parte da Europa, onde locais sem qualquer histórico de altas temperaturas tiveram os seus termômetros batendo números recordes, trazendo toda uma mobilização social.

Com isso, torna-se cada dia mais insustentável cumprir com um plano de desenvolvimento econômico e social sadio. Entende-se, assim, que os impactos ambientais causam consequências tanto relacionadas a altas temperaturas, tempestades e secas, como crises financeiras e alimentares. Passou da época de entendermos que as mudanças climáticas acarretam um desequilíbrio geral na sociedade. Muitas pessoas vivem situações de vulnerabilidade por conta do enfraquecimento ambiental. Com tantos avisos da comunidade cientifica, está na hora da conscientização da sociedade e os esforços políticos se potencializarem e tomarem um lugar central nas discussões e decisões politicas e sociais.


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