As feridas históricas das Mulheres de Conforto


Dia 15 de agosto é o dia da Independência da Coreia. A emancipação coreana frente ao Japão demonstra, entretanto, feridas histórias que continuam abertas no que refere às mulheres escravizadas sexualmente na Segunda Guerra, sem nenhuma reparação.


Diante de todos os conflitos internacionais que estão acontecendo atualmente, é de urgência olhar para as vítimas das guerras e dos conflitos armados, feridos fisicamente e/ou emocionalmente, muitas vezes esquecidos e inferiorizados. Com a guerra, a dominação do corpo feminino dos adversários como forma de conquista, posse e poder é utilizado como arma; o estupro de guerra passa a ser um mecanismo de repressão nos territórios conquistados e, consequentemente, marcam as vítimas com feridas históricas que, muitas vezes, são esquecidas sem uma reparação digna.

Para ter conhecimento, o estupro sistemático como ferramenta de guerra infelizmente é muito utilizado, tendo grande impacto na Segunda Guerra Mundial com as terríveis Estações das Mulheres de Conforto, e no Genocídio em Ruanda em 1994, com tentativa de exterminar as gerações tutsis. 

Denominavam-se Mulheres de Conforto, na Segunda Guerra, as escravas sexuais que foram obrigadas a satisfazer os soldados japoneses. Em 1910, o Japão anexou o território da Coreia como colônia. Dessa perspectiva, as jovens moças coreanas eram convocadas a deixar suas famílias com intuito de trabalharem em fábricas, porém eram enganadas pelo próprio departamento japonês para participar das Estações situadas pela China, Indonésia e Filipinas — países dominados pelas tropas japonesas.

Há relatos das ex-Mulheres de Conforto que afirmam terem sido violentadas, em média, por 30 homens por dia, além das violências físicas caso não fossem obedientes. Esses bordéis logo foram desfeitos com o fim da Segunda Guerra, e as Mulheres de Conforto estavam livres; porém, muitas dessas escravas sexuais traumatizadas foram silenciadas pela vergonha da exposição e pelo sistema patriarcal conservador, ainda muito presente na Coreia.

Sobreviventes do terror

Como forma de lutar pelos Direitos Humanos, as sobreviventes viraram ativistas contra o tráfico sexual, expondo ao mundo as violências cometidas e a necessidade de uma reparação histórica.

Em 1945, o Tribunal de Nuremberg sentenciou os nazistas por todos os crimes cometidos e por infringir os Direitos Humanos. Acontece que o estupro de guerra não foi considerado na época pelo Direito Internacional. É triste afirmar que não foi nem discutido em suas pautas as atrocidades do estupro sistemático ocorridos na Segunda Guerra Mundial. 

Assim, as poucas sobreviventes lutaram por décadas, sendo a última tentativa em 2016, com a entrada de processo para reparar os danos. Apesar disso, devido às idades das vítimas, a demora de uma solução só deixa escancarada a falta de solução para essas idosas, acarretando no esquecimento da luta contra o Sistema de Conforto após suas mortes. Infelizmente, o processo foi finalizado definitivamente em 2021, com a perda das Ex-Mulheres de Conforto contra o Japão. 

Entretanto, as histórias das vítimas continuam presentes nos relatos expostos para o mundo. Entre esses relatos, o documentário “Meu nome é Kim Bok Dong” expõe a ativista ex-Mulher de Conforto Kim Bok Dong, falecida em 2019, a qual abre suas feridas para abordar essas atrocidades. Sua última entrevista foi pelo Asian Boss – Vida como uma “Mulher de Conforto”: História de Kim Bok-Dong.

Além disso, a Hq “Grama” de Keum Suk Gendry-Kim por meio de graphic novel retrata as feridas da sua avó Ok-sun Lee que aborda as adversidades dentro das Estações e da reconstrução da sua vida pós-guerra com todo estigma e preconceito envolvendo essas mulheres. 

Por fim, o dia 14 de Agosto virou uma data memorial por ser o primeiro relato das feridas históricas expostas por Kim Han Sook, levando a uma consciencialização sobre um problema que nunca foi resolvido. 


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