Inauguro aqui uma nova coluna especial sobre arte n’O Sabiá. Nessa coluna, tratarei de indicações de forma mais leve, sem o peso crítico da coluna sobre cinema no meio da semana. A ideia é que a coluna saia aos sábados justamente para quem quer indicações do que ver (e ouvir!) no fim de semana. Nesse começo, trago obras quase complementares: O filme Lira do Delírio e o álbum cujo muitas das suas composições fariam parte da trilha sonora desta obra, Confusão Urbana, Suburbana e Rural.

A atmosfera carnavalesca de Lira do Delírio é um tanto quanto preciosa mesmo nas produções audiovisuais brasileiras. É raro uma representação tão pulsante e viva desse momento cultural tão importante para pensar o Brasil. Esse centro ocupado pela festividade faz com que o carnaval seja quase um personagem numa obra que adquire contornos de suspense policial. Indicação bem quente de um filme drasticamente atento às questões nacionais. Não tem erro e é um ótimo filme para começar uma jornada de conhecimento desta fase do cinema brasileiro, leve e, ao mesmo tempo, um pouco esquecido dentre as grandes obras da época. Ainda com a leveza de um “musical” que não implica a necessidade de ser um grande entusiasta de musicais.

Confusão Urbana, Suburbana e Rural também opera em clima carnavalesco e, se cabe realçar sua influência em Lira do Delírio, também é um álbum que sustenta muito bem independentemente. Paulo Moura é um verdadeiro gênio nos instrumentos que domina, um dos maiores nomes da música instrumental brasileira. Tem samba e carnaval para todos os gostos ao longo das 11 faixas que marcam esse registro musical tão único. Amor, melancolia, festa, quer mais o quê? Podemos dizer que Confusão Urbana está no “hall” dos lendários discos da música brasileira.

Sabiá

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