O poeta não caça sob sol,
muito menos sob frio lunar.

Não coleta pelo chão objetos 
de utilidade imediata.

Não planta nada,
nem rega, nem reza.

Não organiza tribo,
civilização ou barbárie.

Não assina Constituição,
nem assassina ninguém.

Não ergue pontes,
prédios ou presídios.

Ao poeta se destina apenas a criação poética.
Apenas o segredo, apenas a beleza, apenas o inútil. 
Apenas os encantos da existência.
O que, talvez, justifique a dor de todas as coisas.

Sabiá

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