O bom das superstições e das crenças populares é que podemos inventar qualquer bobagem sem medo do julgamento. Se tem gente que acredita que Jesus era um baita de um loirão de olhos azuis, com o abdômen rasgado e os bíceps bem desenvolvidos, por que não acreditar na teoria que afirma que, durante a viagem de Charles e Diana à Austrália, em 1983, o bebê William foi devorado por um crocodilo e prontamente substituído por um canguru ruim de briga e com o gene da calvície? Quero acreditar.

Na minha terra tem gente que acredita que todo preguiçoso, todo vagabundo, está possuído pelo espírito do Tataco. E que para curar a leseira é preciso um banho de sal grosso, uma benção do padre ou um trabalho específico no terreiro de sua preferência. Tudo menos um pouco de vergonha na cara, vejam só.

Seja como for, o espírito que faz nutrir valdevinos tem origem em outra crença que, por sua vez, não tem origem comprovada: era uma vez um pangaré que não queria puxar carroça. Não queria fazer nada. Então resolveu se pintar de verde. Não havia nenhuma virtude na existência de um pangaré verde, mas aquilo era tão bizarro que o povo começou a comentar. Tataco, o pangaré verde, ficou famoso. Muita gente vinha de longe e pagava ingresso para vê-lo. E assim Tataco passou seus dias deitado na sombra, até morrer intoxicado porque a tinta verde que havia encontrado no celeiro estava cheia de chumbo e mercúrio.

— Você é tão idiota a ponto de acreditar  nisso? — o leitor me pergunta. 

— Não sei, só sei que é assim. Principalmente a parte do príncipe. — eu respondo. Já a parte do Tataco, eu quero que se foda; tomei a liberdade de adaptar um texto do Renato Terra que saiu na Folha de S.Paulo e que não tinha graça nenhuma, apesar de o mesmo dizer que o que faz é humor.

Sabiá

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