Semana de 27 de agosto – 2 de setembro.

Está cada dia mais complicado lidar de forma séria com a reparação ambiental e conservação ambiental. Busca-se, em um primeiro momento, nunca ter que reparar, pois apenas se repara aquilo que já foi um dia danificado. 

O meio ambiente não deveria nem ser objeto de danificação, porém, já que a degradação ambiental está cada dia mais em alta, foca-se muito na necessidade de reparação e satisfação ambiental. Mas não digo reparação patrimonial econômica, mas sim aquela mais subjetiva, onde obrigasse o infrator a retornar o que danificou em seu status quo

Ainda, quando digo satisfação ambiental, estou me referindo ao atingimento de um habitat que possa voltar ao seu estágio minimamente reprodutivo e consiga satisfazer a cadeia da fauna e flora na totalidade, incluindo seres humanos e não humanos.

Identificar as causas e pessoas que participam ativamente da poluição, desmatamento e outras formas de degradação ambiental é o ponto-chave para que um dia seja possível reparar justamente os danos. 

FUNDOS PARA COMPENSAR O DESASTRE DE MARIANA AINDA ESTÃO EM ESTÁGIO FINAL — SETE ANOS DEPOIS: Foi anunciado pelo Ministério do Meio Ambiente que a criação de dois fundos, que prometem compensar os danos causados pelo desastre em Mariana, estão em fase final de negociação. Sabe-se que com o rompimento, houve muitos danos ambientas e patrimoniais, mas primeiramente, famílias perderam entes queridos e suas casas, sobrevindo assim um cenário trágico, onde as famílias que sobreviveram ficaram sem ter onde morar e sem amparo. 

Um dos fundo será mantido por Minas Gerais e o Espirito Santo e, o outro, coordenado pelo BNDES, sendo federal. Já era hora dessa situação se encerrar de forma favorável àqueles que sofreram por conta da negligência que acarretou o rompimento da barragem. A resolução desse caso demorou. Faz sete anos do acontecimento e ainda não foi concluído nem a formação do fundo que promete auxiliar e reparar os danos. 

Apesar desses fundos, se sabe que os impactos ambientais por conta da tragédia dificilmente terão reparação, uma vez que a natureza trabalha com regeneração, a qual pode ocorrer ou não, dado a extensão do impacto.  Já as famílias ainda buscam por sossego e um respiro, que talvez, com a criação desses fundos, seja possível oportunizar a elas. Não se busca aqui a implementação de uma visão pessimista, mas sabemos que a questão das barragens no Brasil é algo tratado com total negligência, onde são feitos estudos para averiguar o impacto do rompimento, mas não são feitos estudos para frear o rompimento. 

Assim, faz-se necessário entender que o rompimento de uma barragem tem extensões inimagináveis, tanto ambientalmente quanto socialmente, onde familias perdem suas casas, seus entes. Já com o meio ambiente  não deixa de ser diferente, ele também perde sua casa e seus entes, ficando assim impossível de se regenerar. 

UM NOVO RECORDE ALCANÇADO A CADA MÊS QUE PASSA — AGOSTO FOI O PIOR MÊS COM RELAÇÃO AO NÍVEL DE QUEIMADAS: Toda semana trazemos dados referentes as queimadas e desmatamento ocorrido na Amazônia, como uma forma de informá-los do que realmente acontece no meio ambiente brasileiro. Nessa semana, é diferente. Temos um novo recorde de queimadas, identificado no mês de agosto. É o pior cenário encontrado dos últimos 12 anos. 

Segundo o INPE, foram registrados mais de 30 mil focos de queimadas no mês de agosto, batendo apenas do ano de 2010. Essas queimadas são ocasionadas acontecem por conta do crescimento exponencial do desmatamento, das secas. O governo federal tem muita culpa nisso tudo, ante o fato de que não apoia as políticas ambientais necessárias para o freamento da degradação ambiental, sendo que estamos indo para o 4 ano consecutivo em que as queimadas resultam em um número maior que 28 mil. 

De 2011 até 2018 tínhamos em média 20 mil focos, com alguns meses em muita baixa, totalizando aproximadamente 10 mil focos. Já a partir de 2019, os números tornaram-se assustadores, saindo de 10.421 focos, em 2018, para 30.900, em 2019, e 33.116, em agosto de 2022. Frente essa explosão na quantidade de focos de queimadas, urge a necessidade de uma política ambiental séria, que realmente busque ajudar o meio ambiente e não as pessoas envolvidas com ele. 

Entende-se que a discussão torna-se até repetitiva, mas infelizmente não há mais como tentar conscientizar os políticos e a sociedade de que o meio ambiente encontra-se em colapso e caminha par um cenário de extinção humana e não humana. Em ano eleitoral, reforça-se a necessidade de análise das pautas ambientais dos candidatos. Elas precisam ser sólidas e executáveis; as pautas precisam ser analisadas para terem um futuro de aplicação, para não se tornarem utópicas e a pauta apenas seja uma forma de barganha de voto. 

GREENPEACE VISITA ÁREAS DE QUEIMADAS E ALERTA SOBRE A NECESSIDADE URGENTE DE NOVAS POLÍTICAS PARA CONSERVAÇÃO: O Greenpeace sobrevoou a Amazônia para fazer o registro dos focos de queimadas e apenas confirmou o acima exposto. São mais de 30 mil focos encontrados. 

O porta-voz da ONG Romulo Batista ainda se demonstrou chocado com tamanho desmatamento encontrado durante o georreferenciamento. Uma vez que participa a anos desses monitoramentos, afirmou que nunca viu nada igual no tocante a degradação da área de floresta, como a quantidade de fumaça. Ademais, ainda foi destacado por eles que houve 16,7% de aumento nos focos de calor quando comparado ao ano passado, sendo que 43% desses focos são encontrados na região AMACRO, a qual é formada pelos Estados que compõe a região. 

Houve um avanço na grilagem e isso é comprovado pelos números referentes ao crescimento de queimada em terras públicas, as quais totalizam-se em mais de 10 mil queimadas. As Unidades de Conservação e terras indígenas também são alvos dos grileiros, totalizando 13,8% e 5,9% das queimadas, respectivamente. Observa-se que o trabalho dos ativistas não atua independentemente em um local onde os próprios governantes aprovam cada vez mais projetos que abrem precedentes. Oportunizam a grilagem, queimadas e desmatamento, sendo de urgente necessidade um olhar mais empático e racional por partes dos políticos diante das diretrizes ambientais. 


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