Fui demitido e seria muito fácil dizer que fui injustiçado e, na sequência, cuspir no prato onde vinha comendo até poucas horas atrás. Mas acontece que, além de me sentir injustiçado, também estou me sentindo aliviado. Aliviado porque trabalhar em uma startup encabeçada por fascistas disfarçados de libertáriosdon’t tread on me, armas não matam pessoas (pessoas matam pessoas!), hail Brasil Paralelo, Paulo Kogos meu candidato a deputado estadual, Reserva, Osklen — e que vende charlatanismo maquiado de disrupção não estava colaborando para a manutenção da minha saúde mental. E isso porque a escolha de estar lá foi minha, totalmente minha. Diante da necessidade de ganhar dinheiro, acreditei que poderia relevar  uma série de coisas que atentam diretamente contra meus valores e princípios morais. E eu até que consegui fazer isso por quase um ano, não sem alguns picos de estresse, diga-se de passagem; e é justamente daí que vem a sensação de ter sido injustiçado: nesse período, entreguei o melhor que poderia entregar com o que tinha em mãos e com o que me era oferecido para que eu desempenhasse minhas funções. É o que se conhece por aí como profissionalismo — ou peleguismo, dirão os leitores e leitoras mais astutos(as). Na hora de ser dispensado, porém, o que ouvi foi: “a empresa está optando por seguir caminhos onde não faz sentido ter uma pessoa única e exclusivamente dedicada a escrever roteiros audiovisuais”, ou seja, “contratamos na alta, demitimos na baixa. Foda-se! That’s the way we roll e aí de quem ousar tread on us!”.  Fofoca: a meta de receita, que é deveras ousada, não vem sendo batida em suas fatias mensais, logo… Mas é isso aí. Como disse o poeta, tudo é fase, meu parceiro, e o esquema é saber que podemos transitar por cada uma delas sem ser refém de uma única. Fica a lição: bebam muita água porque startup de cu é rola.