Paquistão passa por enchentes, crise hídrica e ondas de calor extremo


Um terço do Paquistão está inundado. Agora, o país passa por uma extrema onda de calor e uma longa monção que despejou uma quantidade recorde de chuva.


Um terço do Paquistão está inundado. Agora, o país passa por uma extrema onda de calor e uma longa monção que despejou uma quantidade recorde de chuva, e uma crise hídrica grave. Rios estão quebrando suas margens, causando inundações repentinas e estourando lagos glaciais — causando uma das piores inundações na história do Paquistão neste século. Cientistas dizem que vários fatores contribuíram para o evento extremo que, até o momento, deslocou mais de 33 milhões de pessoas e matou mais de 1,2 mil.

A Nature, pesquisadores dizem que a catástrofe provavelmente começou por conta de ondas de calor fenomenais. As temperaturas atingiram acima de 40 °C em abril e maio por períodos prolongados, em muitos lugares da região. O Paquistão também foi afetado pela crise alimentar por conta da falta de exportação de grãos na Ucrânia e outros fatores. Entretanto, a onda de calor aconteceu durante as últimas semanas de cultivo de trigo, acabando com as plantações e impactando fortemente a agricultura no Paquistão e na Índia, país vizinho.

O calor intenso derreteu as geleiras nas regiões montanhosas no norte do país, aumentando a quantidade de água que flui para os afluentes que chegam ao rio Indo, o maior rio do Paquistão, que também percorre toda a extensão do país. O Indo alimenta vilas, cidades e plantações agrícolas em todo o país. Ainda não foi possível quantificar quanto derretimento glacial em excesso fluiu para o rio nesta crise, mas cientistas climáticos que visitaram a região notaram altos fluxos e água barrenta.

O aquecimento global muito provavelmente está intensificando as chuvas. Modelos climáticos sugerem que um mundo mais quente contribuirá para chuvas mais frequentes e mais intensas. Entre 1952 e 2009, as temperaturas no Paquistão aumentaram 0,3 °C por década, maior que a média global.

A onda de calor no Paquistão está ameaçando a saúde do povo paquistanês, especialmente de grupos mais vulneráveis. Por exemplo, o país observou um aumento em casos de crianças desmaiando nas ruas por conta do calor, e as condições econômicas gerais do país fazem com que a maioria das instalações não estão adequadas para o calor extremo. Muitas escolas não têm climatização adequada, por exemplo.

As crises coincidiram com outro evento, uma “depressão” — diminuição no sistema de intensa baixa pressão do ar — no Mar da Arábia que ocasionou fortes chuvas na costa do Paquistão, em junho. Então, a crise foi aprofundada pela chegada de antecipada de uma monção, considerada a mais úmida da região nos últimos tempos, diz Andrew King a revista Nature, cientista climático da Universidade de Melbourn, Austrália. O Paquistão recebeu quase o dobro de sua precipitação média anual, e algumas províncias no sul do país receberam mais de cinco vezes essa média.

Grande parte dessa água não tem para onde ir. Esta semana, foi reportado como as inundações formaram um enorme novo lago no espaço. Imagens de satélite de áreas próximas ao rio Indo obtidas pelos satélites Landsat 8 e Landsat 9 da NASA mostram o quanto as águas da enchente se expandiram entre 4 e 28 de agosto. As fotos de satélite mostram que o rio Indo e o lago Hamal, antes a quarenta e oito quilômetros de distância, agora se uniram em um enorme lago.

A crise também resultou em casos crescentes de pacientes com insolação. Insolações ocorrem quando o corpo superaquece e não consegue mais se resfriar, e podem ir de graus leves, como uma simples dor de cabeça, até graus severos, como inchaço dos órgãos e inconsciência.

A onda de calor também resultou em uma crise hídrica grave. Além das ameaças às seguridades básicas da população paquistanesa, a crise também terá consequências econômicas, uma vez que o setor agrícola do Paquistão contribui com 23% do PIB e emprega 42% da população. Semelhante ao Brasil, a agricultura é o maior consumidor de água no país — 97% da água potável do Paquistão é usada pelo setor. Uma escassez estimada de cerca de 70 milhões de toneladas de alimentos é esperada até 2025.

A agricultura é o maior consumidor de água; 97% da água doce do Paquistão é usada pelo setor. A crise hídrica está colocando em risco o maior setor da economia do país. Além da deficiência hídrica e da seca, há outros problemas como o encharcamento e a salinidade que afetam as plantações do Paquistão, que são responsáveis ​​por 60% da contribuição do setor agrícola para o PIB. Uma escassez estimada de cerca de 70 milhões de toneladas de alimentos é esperada até 2025.

O relatório “Crise da Água no Paquistão: Manifestação, Causas e o Caminho a Seguir”, publicado pelo Instituto Paquistanês de Economia do Desenvolvimento (PIDE), detalha aspectos preocupantes da realidade vivida pela população do país. O Paquistão ocupa o 14º lugar entre os 17 países de “risco de água extremamente alto” no mundo. Cerca de 80% de sua população enfrenta uma “grave escassez de água”. Além disso, a disponibilidade de água no Paquistão caiu de 5,2 mil metros cúbicos por habitante em 1962 para 1,1 mil em 2017.

Segundo o relatório, o país tem uma péssima habilidade em captação de água. O termo se refere a quantidade de água retirada de uma fonte superficial ou subterrânea. O Paquistão ficou em 160º, acima apenas de 18 países, em captação de água em relação aos seus recursos hídricos. Cerca de 40% da água no Paquistão é perdida devido a derramamentos, infiltrações, vazamentos ou semelhantes.

O Paquistão sofre, agora, um dos piores eventos climáticos vividos pela humanidade nos últimos anos. As consequências da crise podem ser muito piores caso não remediadas, e a crise hídrica deve ser solucionada antes que seja tarde demais.


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