Em canal no Telegram do Terça-Livre, o blogueiro bolsonarista Allan dos Santos divulga convidados que participarão de sua transmissão ao vivo na noite do 7 de setembro, incluindo figuras proeminentes no ecossistema bolsonarista. A mensagem anuncia “a volta” do Terça Livre.

Segundo imposto por medidas judiciais em decorrer dos inquéritos do Supremo Tribunal Federal, tanto Allan dos Santos quanto o Terça-Livre estão proibidos de veicular conteúdo na internet. O motivo seria a descoberta de mensagens em investigação da PF, onde o blogueiro teria incitado o Presidente Jair Bolsonaro e parlamentares da base a realizarem um golpe de Estado durante os atos de apoio ao governo em abril e maio de 2020.

Desde que foi banido de todas as plataformas da Big Tech, Santos usa o Telegram para se comunicar com apoiadores. Além disso, usa as redes consideradas parte da “contracultura” da indústria da tecnologia, como Rumble, Gettr e Gab.

SUPER LIVE DA INDEPENDÊNCIA

Em mensagem publicada pela manhã do 7 de setembro, Santos divulga figuras que aparecerão na que Super Live da Independência, uma transmissão ao vivo feita por Santos durante a noite do feriado de 7 de setembro. A propaganda do evento anunciava que Brasil vive um momento de censura e suposto aparato repressivo contra “àqueles que defendem a liberdade”, sem citações explícitas a indivíduos ou instituições públicas.

“Não permita ser enganado. Não permita que a censura e a desinformação o faça esquecer do que é realmente importante: o seu papel no novo grito da independência”, afirmava Santos.

Recentemente, reportamos sobre como o blogueiro colocou ao ar um novo site na segunda (5), com o propósito de divulgar a transmissão ao vivo. Apuramos que o site está hospedado em uma empresa que possui representação judicial no Brasil, indo de encontro com as medidas judiciais estabelecidas pelo STF.

QUEM ESTÁ ENVOLVIDO

A mensagem no Telegram obtida pelo Sabiá divulga que diversas figuras proeminentes do bolsonarismo participarão da transmissão. Entre eles, Luiz Philipe Bragança, Bernardo Kuster, Daniel Silveira, Max Cardoso, Carlos Dias, a magistrada Ludmilla Lins, Italo Lorenzon e “muitos outros”.

Estudante de ciências sociais, Italo Lorenzon participou da fundação do portal Terça Livre em 2014, e está registrado no CNPJ da empresa desde 2018 — quando foi oficialmente cadastrada na Receita Federal. Além de seu sócio, Lorenzon também é citado em investigações do STF: em 2021, um documento da PF no inquérito dos atos antidemocráticos revelou que uma servidora do BNDES havia repassado R$ 90 mil ao sócio de Santos. 

Em outubro de 2021, após Allan dos Santos ter seu mandado de prisão expedido por Alexandre de Moraes, Lorezon fez uma transmissão ao vivo anunciando o “encerramento das atividades do Terça-Livre”.

Mensagem de texto do canal Terça-Livre no Telegram que convida apoiadores a assistirem a Super Live da Independência.
Mensagem do canal do Terça Livre, convocando apoiadores a assistirem o “retorno” do blog. Reprodução, Revista O Sabiá

O TELEGRAM

Em fevereiro, um canal do Terça Livre no Telegram foi banido pela plataforma a pedido do ministro do STF Alexandre de Moraes, em decorrer das investigações sobre atos anti democráticos contra instituições públicas em abril de 2021. O grupo tinha 125 mil seguidores.

Agora, o novo canal do portal possui apenas 3,2 mil seguidores. Ele conta com extensas configurações de privacidade, como a proibição de enviar mensagens ou tirar capturas de tela do chat.

Configurações privativas fazem parte do ecossistema bolsonarista, de forma que possam “sobreviver” na plataforma fora do radar de pesquisadores e jornalistas. Os canais mais proeminentes usualmente possuem configurações como o apagamento automático de mensagens, a proibição de capturas de tela ou a remoção de membros inativos por muito tempo. Dessa forma, o grupo é apenas em um veículo de propagação de informação, sem interação dos usuários.