ELEIÇÕES 2022

Veja os gastos com impulsionamento de candidatos ao governo da Bahia

As candidaturas de ACM Neto (União) e Jerônimo Rodrigues (PT) iniciaram suas campanhas com uma onda de gastos para impulsionamento em redes sociais. A base de dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contabilizou os gastos a partir de agosto, mês para começo oficial das campanhas, conforme legislação eleitoral.

Segundo dados do Observatório de Impulsionamento Eleitoral do Núcleo Jornalismo, os dois principais nomes ao governo do estado da Bahia gastaram, em média, R$15 mil em impulsionamento nas redes sociais.

O marketing de impulsionamento é uma das principais estratégias do marketing eleitoral este ano, sendo usado para estimular a interação de usuários ou influenciá-los para interagir ou conferir a postagem de um usuário.

A partir do que é chamado efeito adesão na publicidade, o impulsionamento nas redes tem como premissa que é muito provável que uma pessoa se sinta estimulada a comentar em uma postagem se ver que já existem muitos comentários naquela publicação, e assim por diante.

São 6 candidatos concorrendo ao governo da Bahia este ano. Os três principais candidatos possuem uma grande disparidade em números de intenção de votos, segundo novo levantamento do instituto Real Big Data. ACM Neto (União Brasil) tem 49% nas pesquisas, Jeronimo Rodrigues (PT) tem 24% e João Roma (PL) tem 9%.

OS GASTOS

Ao navegar por uma rede social, é provável que um usuário já tenha se deparado com a publicação de um perfil desconhecido. Esse perfil é um perfil impulsionado pelo algoritmo. O marketing de impulsionamento é uma forte ferramenta em ano eleitoral. Para que isso funcione, as próprias plataformas disponibilizam maneiras de como fazer com que suas publicações ganhem um maior engajamento.

Uma delas é pagar certa quantia para que a própria plataforma faça suas postagens aparecerem com mais frequência, até mesmo para usuários que não seguem o perfil impulsionado. É daí que surgem os “gastos com impulsionamento” por parte dos candidatos.

O candidato ACM Neto teve até o momento um total de R$51 mil em gastos com impulsionamento, enquanto seu principal adversário, Jerônimo Rodrigues, teve o total de R$45,9 mil.

ACM (UNIÃO)JERÔNIMO (PT)
R$51 mil em gastos com rubrica “impulsionamento”R$45,9 mil em gastos com rubrica “impulsionamento”
R$12.750 foi a média de gastosR$7.663 foi a média de gastos
R$30 mil foi o maior gastoR$7.855 foi o maior gasto
R$7 mil foi o menor gastoR$6 mil foi o menor gasto
Dados copilados pelo Observatório de Impulsionamento Eleitoral do Núcleo Jornalismo.

A presença do número de maior e menor gasto vem do fato de que o valor a ser pago pelo impulsionamento pode variar dependendo do tipo e da plataforma. Cada plataforma tem seu próprio sistema de impulsionamento, normalmente dando a possibilidade de impulsionar o perfil ou publicações específicas de um mesmo perfil.

Os dados apontam que o candidato ACM Neto teve gastos maiores que o de Jerônimo, provavelmente pela diferença entre públicos nas redes sociais. Os reflexos desses maiores gastos podem ser vistos nas próprias redes sociais do candidato. A página do Facebook da candidatura de ACM Neto possui, em média, 198 curtidas a mais que as de Jerônimo Rodrigues. Nesse contexto, vale apontar que o Facebook é a rede social mais usada por brasileiros para se informarem por política, segundo matéria do Globo.

POR QUE ANALISAR O IMPULSIONAMENTO DE CANDIDATOS COM OLHAR CRÍTICO?

A prática do marketing de impulsionamento é o resultado das novas maneiras de se fazer política. A partir de 2016 o mundo começou a notar a influência que as redes sociais podem ter no cenário democrático de um país. Essas ferramentas têm uma capacidade nunca vista antes: A possibilidade de dialogar diretamente com os eleitores indecisos.

Porém, até mesmo as práticas modernas da nova política ainda são financiadas da maneira antiga, uma vez que os gastos com impulsionamento também são pagos com dinheiro público. As grandes quantias desembolsadas pelos candidatos a governador são apenas a consequência de ambos representarem os partidos com as maiores fatias do fundo eleitoral: o União Brasil com R$782 milhões, o Partido dos Trabalhadores com R$503 milhões.

Além de conferir se o dinheiro público está sendo gasto prudentemente, o eleitor também deve olhar para esses dados como uma oportunidade de reflexão, repensando se está escolhendo um candidato por convicção própria ou porque se permitiu influenciar pelas próprias redes sociais.


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