Nos 74 anos de ocupação ilegítima na Palestina, liberdade ecoa.


Nos 74 anos de ocupação dos territórios palestinos, a luta para a superação de um regime autoritário continua. Com o apoio dos grandes promotores da liberdade, Israel segue promovendo um apartheid em pleno século XXI.


Na foto, um palestino em protesto na cidade de Jerusalém, em 2019. ABBAS MOMANI / AFP via Getty Images

A história moderna da Palestina conheceu a brutalidade sob domínio franco-britânico, quando a expansão colonial buscava consolidar sua influência no Oriente Médio.

Contudo, é no período entre guerras que a amplitude do movimento sionista chega a proporções de relevância política. Quando o sul palestino foi apossado pelo exército britânico, o Secretário das Relações Exteriores da Inglaterra, Arthur James Balfour, repassa ao líder da comunidade judaica britânica, Walter Rothschild, uma declaração do Império Britânico com seu respaldo para a criação de um Estado judeu na Palestina. Conhecida por Declaração de Balfour, a carta foi escrita em 2 de novembro de 1917.

Nesse contexto, a coroa inglesa transferiu o controle territorial para a direção sionista. A partir de então, assentamentos sionistas são construídos em território palestino. Esse processo transitório, contudo, não ocorre de modo pacífico.

Formado a partir de milícias existentes, o Haganá era a principal organização paramilitar no mandato da Palestina, entre os anos de 1920 e 1948; isto é, antes mesmo da criação de Israel.

Em 29 de novembro de 1947, trinta anos depois, a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) adotou a resolução 181, por meio da qual aprovou o plano de divisão da Palestina, que estipulava a criação de um Estado árabe e de outro judeu até, no máximo, 1º de outubro de 1948.

A resolução, em contrapartida, atropela a autodeterminação dos povos árabes, que se negaram a assinar o plano da ONU, aumentando a tensão na região e culminando na Guerra Árabe-Israelense e no Al-Nakba, que obrigou centenas de milhares de palestinos a se refugiarem fora do recém-criado Estado de Israel.

Depois da decisão das Nações Unidas, movida pelos interesses das hegemonias capitalistas da época, o Haganá veio a público como o maior grupo terrorista de combate entre os judeus, protagonizando o processo de limpeza étnica na Palestina.

Pouco depois da declaração de independência de Israel e do início da Guerra Árabe-Israelense de 1948, o Haganá foi dissolvido e tornou-se o exército oficial do Estado, as Forças de Defesa de Israel (IDF).

Quão prejudicial é a existência de um Estado voltado para um só povo nas terras de todos os povos?

Não existe em lugar algum em todo o mundo que uma etnia apenas o habite. Isto é, criar um Estado judeu – étnico e religiosamente – significa passar por cima de um povo, cultura, idioma, religião e ordem social já estabelecida previamente para implementar um novo através da coerção.

Ora, se já habitavam na Palestina os árabes, cristãos, judeus, drusos e afins, sob um ornamento de liberdade religiosa, por que expulsá-los de seu território para ceder ao povo judeu?

Por que pedir para um povo que não acordou na criação de um outro Estado em suas terras que saiam de suas casas para migrar para um Estado supostamente palestino, que até os dias atuais não tem suas fronteiras delimitadas, ao mesmo tempo que Israel já avançou em mais de 60% do limite territorial previsto?

Parece justo aos justiceiros e libertadores dos povos do mundo que, ao invés de um Estado laico, multiétnico, para defender os interesses da classe burguesa internacional e dos supremacistas brancos europeus que viam a criação de Israel como solução para o “problema racial” na Europa, se estabeleça um regime de apartheid?

O Estado de Israel nasceu como projeto do colonialismo por povoamento e tal elemento está intrínseco à ideologia sionista, tal como Theodor Herzl, pai do sionismo moderno, alega: “Como representantes da civilização ocidental, queremos levar limpeza, ordem e costumes iluminados do Ocidente a esse canto agora infecto e desolado do Oriente, a esse canto doente.”.

Para além disso, o papel de Israel histórica e atualmente é o freio de uma revolução local, “é necessário desviar ‘um proletariado que incute medo’ para um território que exige ‘homens que o cultivem’. Libertando-se de um ‘excesso de proletários e desesperados’, a metrópole europeia pode ao mesmo tempo exportar a civilização para o mundo colonial: com esse aumento da civilização e da ordem iria junto o enfraquecimento dos partidos revolucionários” disse Herzl, em 1920.


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