Semana passada no clima


Semana de 4 a 11 de setembro.


Infelizmente, as consequências da alta nas queimadas na Amazônia e na região AMACRO começaram a ser presenciadas por muitos Estados no Brasil. 

Ainda que relativamente longe dos territórios acima mencionados, as regiões sul e sudoeste do Brasil lideram com uma névoa cinza e densa. Isso tudo pode ser colocado na conta das atividades ilegais e da falta de fiscalização por parte dos entes responsáveis em áreas de preservação ambiental, as quais tem sido desmatadas e queimadas diariamente. 

Com isso, infelizmente o cenário ambiental do Brasil apenas continua sendo um exemplo de irresponsabilidades e negligência, não apresentando nenhuma melhora na última semana. 

FUMAÇA DECORRENTE DE QUEIMADAS DA AMAZÔNIA CHEGAM A ESTADOS DO SUL E SUDOESTE DO BRASIL: De umas semanas para cá, já mencionamos diversas vezes o aumento exponencial das queimadas na Amazônia. 

Com isso, vemos que a extensão dos danos é gigantesca. Tanto o Estado de São Paulo, como o Estado do Paraná presenciaram na última semana uma fumaça pairando no ar. As queimadas trouxeram consigo uma fumaça cinza e preocupante, a qual deixou o ar denso e mais seco. Essa mesma situação foi, inclusive, identificada em Santa Catarina, Estado que fica mais ao sul do que o Paraná. 

Isso só demonstra como os danos provenientes da degradação ambiental são extensos e podem chegar a lugares inimagináveis. A extensão desses danos não são previsíveis, assim como a possibilidade de regeneração também não. 

Nunca se sabe se aquele ambiente não foi tão machucado que nunca mais conseguirá reintegrar-se. Não temos como tratar o meio ambiente como algo exato e digno de precisão, pois ele detém toda uma subjetividade em sua cadeia, a qual depende de diversos fatores para a manutenção e uma possível regeneração. 

Na maioria das vezes, quando o meio ambiente é desintegrado, ele nunca consegue retornar ao seu status inicial de saúde. A fauna e a flora lidam com vidas de seres humanos e não humanos, e isso requer um olhar subjetivo diante da infinidade de habitats e suas necessidades para desenvolvimento. 

Segundo a SIMEPAR (Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná), a altura da fumaça pode ser identificada entre 3 a 20 km de altura, tendo avançado para o Paraná devido ao vento, que é ocasionado pela chegada de uma frente fria. 

SETEMBRO, NOVO RECORDE DE QUEIMADAS EM APENAS 10 DIAS: Na semana passada, informamos que um novo recorde em relação aos focos de queimadas tinha sido batido. Hoje, já temos novos números. Só entre a primeira semana de setembro, foi encontrado um crescimento no número de focos, se comparado a setembro de 2021. Temos mais de 16.742 focos de queimadas nesses dias e, até a presente data (somando todos os meses), já passa de 64 mil focos.

Muito disso está ocorrendo pelo fato de que o IBAMA não está usufruindo da sua verba contra as queimadas. Segundo o Observatório do Clima, apenas 37% de seu orçamento reservado para o combate às queimadas foi realmente direcionado para isso.

Diante disso, observa-se que a necessidade de uma fiscalização e acompanhamento mais sério com relação às queimadas e suas consequências são pautas de urgência. Novamente, torna-se exaustivo e repetitivo falar isso, mas precisamos urgentemente da atuação por parte das entidades para frear o desenvolvimento de práticas contrárias à conservação do meio ambiente.

A extensão dos danos relacionados a grilagem, mineração, queimadas e desmatamento está tomando proporções absurdas e parece que não há ninguém, no alto escalão social, realmente se preocupando para combater e frear essa degradação ambiental que está cada vez mais ativa e caminha para um cenário de impossibilidade de regeneração. 

O AGRO NÃO É POP: AGRONEGÓCIO INFLUÊNCIA DIRETAMENTE NA DEGRADAÇÃO AMBIENTAL E NO ADOECIMENTO DO MEIO AMBIENTE: Não, o agro e o meio ambiente não caminham juntos. Muito pelo contrário, caminham em direções completamente diferentes. Enquanto um tenta cuidar, o outro trabalha para desintegrar. Muitos no agronegócio cuidam do meio ambiente, mas apenas daquela parte que os interessa financeiramente e que darão “fruto$”. 

O meio ambiente conta com um trabalho conjunto de diversos habitats, biomas e espécies, e isso faz com que não seja possível preocupar-se apenas com um pedaço dele, uma vez que estando em desequilíbrio, toda a cadeia irá sentir as consequências. 

Não adianta de nada preservar um pequeno espaço e desmatar o que está em seu torno, uma hora ou outra, aquele pequeno espaço não irá mais ser autossuficiente em sua manutenção. E nunca se sabe se aquela área desmatada irá algum dia conseguir chegar perto da sua naturalidade originária. 

Por tratar-se de uma área em que o financeiro é muito mais imperial que a conservação do meio ambiente, o agronegócio torna-se o principal responsável pelas commodities para exportação, lucrando tanto financeiramente como em termos de ocupações de área, sobrando para a população a fome, o desmatamento e a alta inflação. 

Ainda, nos últimos 37 anos, houve um enorme avanço da agropecuária sobre a vegetação nativa do país. Segundo o Map Biomas, a superfície da água no Brasil diminuiu em 17%, muito pelo fato de que a diminuição das águas e o desmatamento é um sistema de retroalimentação.

Só em 2021, segundo o Relatório Anual do Desmatamento, o agronegócio foi responsável por 97% do desmatamento no Brasil, tendo o Map Biomas alertado que a degradação teve um aumento de 20% em todos os seus biomas, tendo sua maior concentração nas áreas em que fronteiras do agronegócio foram identificadas.

A região do AMACRO sempre é a mais afetada, e nesse caso não é diferente.  Assim, identifica-se que 12,2% dessa região foi derrubada em 2021. Ainda, fora todo esse cenário, temos invasões em terras indígenas, tendo o MapBiomas novamente alertado sobre a concentração da atividade ilegal em 3 terras indigenas, que juntas, totalizam 12,8 mil hectares. 

A invasão de fazendeiros, grileiros, garimpeiros, mineradores, madeireiros acaba por fomentar os conflitos armados e territoriais nessa área, fazendo com que algumas terras indígenas sejam consideradas os maiores focos de devastação por parte do agro. Com isso, frisa-se que o meio ambiente e o agronegócio não caminham na mesma direção e que o agro carrega consigo a maior parte da culpa quando se trata de degradação ambiental no Brasil e expurgo dos povos tradicionais de seus territórios. 



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