Na quinta-feira, 8 de dezembro, o Committee to Protect Journalists (CPJ, na sigla em inglês) enviou aos Departamento de Justiça dos Estados Unidos uma nova carta aberta pedindo a retirada das acusações contra o jornalista e fundador do WikiLeaks, Julian Assange.

A carta é endereçada ao Procurador-geral Merrick Garland. O grupo expressa preocupação com os processos criminais e de extradição em andamento no Departamento de Justiça contra Assange. O jornalista pode receber uma sentença de até 175 anos de prisão caso extraditado do Reino Unido para os EUA, sob a Lei de Espionagem de 1917, um mecanismo legal arcaico usado para perseguir e julgar “espiões” durante a Primeira Guerra Mundial.

Em junho deste ano, o Reino Unido aprovou a extradição de Assange. A justiça recusou os argumentos da defesa do jornalista, que afirmou que o processo de extradição seria, além de um ataque à liberdade de imprensa, danoso a saúde mental de Assange.

Ele teve um derrame na prisão de Belmarsh em 2021 em decorrência do estresse provocado por seu caso judicial. Além disso, psiquiatras que acompanharam Assange na prisão entre 2019 e 2021 afirmaram, inclusive em audiências, que ele apresenta um risco de cometer suicídio.

O apelo do CPJ ao governo Biden vem após uma mudança elaborada pelo Departamento de Justiça. O orgão atualizou suas diretrizes políticas em relação à jornalistas, visando evitar o uso de investigações criminais contra profissionais no exercício da profissão que divulgassem conteúdos secretos, como documentos de Estado, mas que fossem de interesse público.

We again urge you [Merrick Garland] to protect democratic values and human rights norms, including freedom of the press, by abandoning this relentless pursuit of Assange.

Pedimos novamente que você [Merrick Garland] proteja os valores democráticos e as normas dos direitos humanos, incluindo a liberdade de imprensa, abandonando essa incansável perseguição de Assange.

Committee to Protect Journalists

Além do CPJ, a carta também conta com assinaturas da Human Rights Watch, American Civil Liberties Union, e outras 18 entidades em defesa dos direitos humanos e liberdade de expressão. 

Na semana passada, editores e publishers dos jornais New York Times, The Guardian, El País, Der Spiegel e Le Monde assinaram uma carta aberta pedindo que o governo Biden desistisse das acusações contra Assange. Os jornalistas afirmaram que o julgamento de Assange sob a Lei de Espionagem de 1917 “estabelece um precedente perigoso” que pode minar a liberdade de imprensa no mundo.

Agora, o caso de Assange encontra-se parado, com a defesa aguardando que a Secretária de Estado do Reino Unido, Priti Patel, assine e formalize o pedido de extradição.

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