É preciso estar atento e forte

Imagino um publicitário dentro de uma sala com ar condicionado, sentado em uma confortável cadeira de escritório, desfrutando de salários elevados e direitos trabalhistas. Entre uma risada e outra, um lanchinho entregue por um trabalhador precarizado e outro, o marqueteiro fantasia consigo próprio como é ser um entregador.

O passado mata para sobreviver

O passado, que lança garras assassinas no presente, mata para sobreviver; os detentores de poder auxiliam na matança, porque desejam manter a ordem social benéfica a eles — existe, porém, resistência.

Uma ave bailarina

Ao passo que os fogos se afirmavam no firmamento, uma ave dançava um balé sem direção definitiva. De repente, sem nenhum passo atípico, tal animal fugiu sob meus olhos. Assim, feito uma ave bailarina rasgando caminhos improvisados entre explosões coloridas, o ano se anunciava independente, livre dos desígnios de domínio dos Sapiens.

A redenção pela Arte: mil e uma vidas

Apesar de pecar pela descrença, sem saltar na fé, discordo da constatação de “ser a vida uma só”. Parece-me improvável um paraíso pós-existência, a reencarnação – o que jamais me permitirá negá-las; quem sabe algum dia acreditarei em alguma ideia religiosa. Se inexistem vidas-outras como sugerem as religiões, como vivê-las?

Entre a Lua e o Sol, a Beleza e o Terror

Ontem à noite um violinista tocava na calçada em frente de casa. Entre as músicas, destacaram-se tanto As Rosas Não Falam quanto Eu Sei Que Vou Te Amar. Hoje de manhã um policial militar espancava um rapaz negro suspeito de roubo na calçada em frente de casa. Os pedestres, feito uma plateia apática, ignoravam.